O que a cidade inglesa Rochdale, Ouro Preto (MG), Nova Petrópolis (RS) e Cachoeiro de Itapemirim (ES) têm em comum? Além de paisagens deslumbrantes e frequentemente visitadas por turistas, esses locais foram palco do surgimento de cooperativas que marcaram a história e transformaram as comunidades locais.
Hoje presente em diversos setores da economia brasileira e mundial, o cooperativismo tem raízes profundas que remontam ao século XIX. Desde a fundação da primeira cooperativa moderna em Rochdale até os pioneiros brasileiros que consolidaram o modelo no país, a trajetória do modelo de negócio mostra que união e propósito podem transformar realidades.
Mesmo em meio às crises, as cooperativas prosperaram e se espalharam pelo mundo. Começaram pequenas, mas cresceram e inspiraram outras pessoas a cooperarem. Ao revisitarmos a história do cooperativismo, alguns personagens se destacam por serem divisores de águas. Neste artigo, conheça quatro cooperativas que marcaram a trajetória desse movimento econômico e social.
Rochdale, onde tudo começou
No contexto da Revolução Industrial, um grupo de 28 tecelões, sendo 27 homens e uma mulher, decidiu fundar a primeira cooperativa moderna da história. Assim, em 21 de dezembro de 1844, no interior da Inglaterra, nascia a Sociedade Equitativa dos Pioneiros de Rochdale, um armazém que comercializava insumos básicos a preços justos para os seus membros.
Apesar dos desafios iniciais, o modelo de negócio baseado na cooperação, autonomia e gestão democrática obteve sucesso e cresceu. Quatro anos após sua criação, a cooperativa já contava com 140 membros. Doze anos depois, em 1856, o número chegou a 3.450 associados. O capital social saiu de 28 libras para 152 mil libras.
A cooperativa mostrou novamente o seu valor durante a Guerra Civil Americana e a Fome do Algodão, derivada do conflito. A crise ocasionou a interrupção do fornecimento de algodão para as indústrias têxteis da Inglaterra e afetou a base da economia de Rochdale. Mais de dois terços dos operários ficaram sem trabalho.
Os pioneiros de Rochdale mantiveram as suas atividades e ofereceram apoio aos trabalhadores locais, mesmo em meio às adversidades. Enquanto a indústria perdia força, a cooperativa persistiu, gerando empregos e buscando meios de auxiliar os desempregados.
Em 1976, a pioneira se fundiu com outras duas cooperativas próximas a Rochdale. Em 1991, outra fusão ocorreu com a United Co-operatives, que deu origem à United Norwest Co-operatives, que depois passou a integrar o The Co-operative Group.
A pioneira do cooperativismo de crédito na América Latina
Em 28 de dezembro de 1902, foi fundada a Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e Empréstimos de Nova Petrópolis, hoje conhecida como Sicredi Pioneira. Ela foi a primeira instituição financeira cooperativa da América Latina e já acumula 122 anos de história.
A ideia de criar uma cooperativa de crédito veio à tona meses antes, no dia 19 em outubro daquele ano, durante uma reunião do Sindicato Agrícola do Município de São Sebastião do Caí, em Linha Imperial. Uma série de acontecimentos fez com que a fundação fosse adiada, mas, no fim, se concretizou com sucesso.
O Padre Theodor Amstad, considerado o patrono do cooperativismo brasileiro, teve papel fundamental nas articulações que deram origem à cooperativa. O padre suíço buscava meios de fortalecer a economia das comunidades imigrantes locais, cuja base era a produção agrícola.
A primeira sede da Sicredi Pioneira foi na Caixa Rural de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul. Desde 2010, a cidade é reconhecida como a Capital Nacional do Cooperativismo. Hoje a cooperativa integra um sistema que reúne mais de 9 milhões de cooperados em todo o Brasil. São mais de 2,9 mil agências espalhadas pelo país, distribuídas em mais de 100 cooperativas.
A primeira cooperativa do Brasil
Oficialmente, a primeira cooperativa a ser criada no Brasil foi a Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, cujos negócios eram focados no consumo de produtos agrícolas. Ela foi constituída em 27 de outubro de 1889, na cidade que à época era a capital da província de Minas Gerais.
Seus fundadores juntaram 200 contos de réis com o intuito de se declararem independentes dos comerciantes e mascates – vendedores ambulantes - da cidade, e assim o fizeram. A cooperativa auxiliou seus membros financeiramente ao comercializar de produtos agrícolas a materiais de construção a preços mais acessíveis.
Também existia uma caixa de auxílio caso alguém necessitasse, embora o foco da cooperativa fosse a comercialização de bens materiais. Os artigos 41 e 44 do estatuto social da cooperativa previam essa ajuda para associados que não dispunham de meios de trabalho e viúvas de cooperados em situação de pobreza.
A cooperativa capixaba mais antiga ainda em atividade
A partir de 1930, a história do Espírito Santo se mistura à do cooperativismo, um modelo de negócio que começou a se desenvolver no interior do estado. Por isso, as cooperativas agropecuárias tiveram e continuam a ter protagonismo no cooperativismo capixaba.
Umas das cooperativas mais longevas do estado, e a mais antiga ainda em atividade, é a Selita, com 86 anos e sede em Cachoeiro de Itapemirim. Ela foi fundada em 22 de outubro de 1938 por 25 produtores rurais, liderados pelo engenheiro agrônomo Dr. Djalma Eloy Hees.
Até 1980, a cooperativa fez parte da Cooperativa Central de Produtos de Leite, para onde ia boa parte do leite produzido pelos seus cooperados. Paralelamente, uma parte da produção era comercializada na capital do Espírito Santo, em Vitória. Essa divisão não foi aceita pela central e ocasionou o rompimento das suas relações com a Selita.
Assim, a partir de 1983 a cooperativa passou a atuar de forma independente na captação, industrialização e comercialização de leite e derivados. A nova fase foi marcada por um aumento expressivo do número de cooperados e, consequentemente, da produtividade do negócio.
Hoje, a Selita reúne 1,1 mil cooperados, distribuídos em 35 municípios do Espírito Santo. A cooperativa comercializa diversos tipos de produtos, que incluem bebidas láteas, creme de leite, doce de leite, iogurte, leite, leite em pó, manteiga, queijo e requeijão.
Fontes de pesquisa:
1902-1920 - História - Quem Somos - Sicredi Pioneira
7ª edição da Cooperação em Revista - Sistema Ocemg
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